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sexta-feira, 7 de agosto de 2020
sábado, 1 de agosto de 2020
Mapa (volta-volta) F1_2020 Etapa 03 - GP Hungria (Hungaroring)
O que mais marcou este GP?
T2 com chuva; Albon não passa do Q3, onde os 2 Williams passam. Mercedes é muito superior aos concorrentes com Hamilton cravando a pole, melhor volta e vitória.
Os dois Racing Point na 2ª fila; Verstappen bate na volta de alinhamento, danifica o carro mas, consegue largar no seu 7º posto depois de ótimo reparo dos mecânicos.
Bottas larga mal e o tempo nebuloso foi o destaque da prova, sem chuva. Todos largam com pneus intermediários, exceto a Haas que larga do pit para mudar para pneus medium.
Assim, até a 5ª volta todos os outros pilotos fazem seus pits para trocar os pneus para pista seca. Isso provoca a incrível marca de 163 ultrapassagens até a 5ª volta e o avanço da Haas para 3º e 4º posto, com Hamilton na ponta, Verstappen em 2º e Bottas em corrida de recuperação.
Na metade da prova ele toma o 3º posto de Stroll e no final ameaça o 2º posto de Verstappen, mas não consegue ultrapassá-lo.
Hamilton troca para pneus soft no final, crava a melhor volta da prova e conquista sua 86ª vitória assumindo a liderança do Mundial pela 108ª vez na carreira.
No final Haas é punida por ter tido “ajuda” da equipe durante o alinhamento, para largar do pit.
Destaque negativo, a Williams que mais uma vez no ano, faz um bom qualifying mas uma corrida ruim.
O pontilhado uniforme indica abandono e o disforme indica penalização na classificação final.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
O Melhor 84 do Brasil
Nesse dia, fica aqui minha homenagem para ele: a recuperação do texto que escrevi e publiquei no site da Confederação Paulista. Infelizmente lá, foi apagado. Aí vai a crônica:
Advogado, fã da música clássica, do autor literário Hemingway, professor e empresário. Além disso, exerceu o papel de jornalista traduzindo para o português o livro “A História de Jim Clark” de Bill Gavin. Ainda nessa linha, trabalhava nas revistas Quatro Rodas, Auto Esporte e também escrevia suas peripécias européias para a extinta Grand Prix.
Esse é o perfil de Pedro Victor De Lamare, piloto paulista
que no início dos anos 70, conquistou o tricampeonato brasileiro na categoria
Turismo e o vice-campeonato brasileiro de F-Ford.
O INÍCIO: De Lamare realizou sua primeira corrida em 1957, na segunda prova do
evento Cinqüentenário do Automóvel Clube do Brasil, em Interlagos. Tinha 20
anos de idade e chegou em 15ºlugar na geral (foi quarto na categoria-esporte
até 2000 cc) pilotando um MG TC nº84. Seu parceiro, Paschoal Nastromagario
finalizou na sua frente com um MG TD.
Sua segunda prova foi os
500 Km de Interlagos de 1958 em dupla com o amigo Marivaldo Fernandes.
Abandonaram a prova por quebra mecânica do mesmo MG TC nº84, carro que
pertenceu a Cláudio Daniel Rodrigues e era mantido por Giovani Mosquetti.
A FORMAÇÃO: A falta de verba, a imposição dos pais e a ambição de finalizar sua
Faculdade de Direito em Santos, o afastou das pistas por seis anos (1959-1964).
Em 1964 De Lamare se casou com a manequim Gigi. Com grande
incentivo da esposa, passou a se
dedicar totalmente ao automobilismo como piloto, coisa rara no Brasil daquela
época.
O APRENDIZADO: Com o orçamento apertado, De Lamare raramente tinha chance de pilotar carros vencedores. Já mostrando seu alto profissionalismo, De Lamare tinha seu próprio Renault 1093 (preparado na Torke de Luiz Pereira Bueno) para as corridas curtas e uma berlineta Interlagos (motor preparado por Roger Resny) para as provas menos importantes.
Com o Renault 1093 Pedro virou a volta de Interlagos em
4’30”, um ótimo tempo para o padrão de seu carro. Isso chamou a atenção do
chefe da Willys, o grande Luiz Antônio Greco. Este não pensou duas vezes e o
convidou a participar oficialmente da escuderia Willys.
Nesse ano de 1965, De Lamare chegou em quinto lugar nas 12 Horas de Interlagos e sexto nos 1000 Km de Interlagos, ambas as provas com o piloto Luiz Fernando Terra Smith e conduzindo o Renault 1093. Com Ludovico Perez e pilotando o Willys Interlagos, De Lamare ficou em quinto lugar nas 6 Horas de Curitiba.
Novamente com Ludovico Perez e pilotando o Interlagos, De
Lamare subiu ao pódio ao terminar na terceira posição nos 1000 Km de Brasília
de 1966. Já com Waldemar Costa, alcançou o sétimo posto com o Renault 1093 nas
24 Horas de Interlagos.
Em 1967 houve o
primeiro Campeonato Brasileiro de Fórmula Vê. Com um Fitti-Vê particular
preparado na
concessionária Mecanova dos irmãos Otto e Fritz Jordan, De Lamare conquistou um
terceiro lugar no Rio de Janeiro.
A já tradicional prova 500 Km de Interlagos foi disputada
em 1967 com esses fórmulas. Participando em dupla com Ricardo Achcar e
pilotando o Aranae nº100, De Lamare não terminou a prova. Nas 12 Horas de
Interlagos pilotou a carretera Gordini, chegando na sexta posição.
A PRIMEIRA VITÓRIA: Em 1968, a escuderia Cebem tinha nada menos que o experiente Chico
Landi como diretor técnico. Lá, De Lamare aprendeu com “Seu Chico”, “os
segredos” de como ganhar tempo com carros de maior potência. Daí, De Lamare conquistou
sua primeira vitória: foi nas 500 Milhas da Guanabara de 1968 em dupla com Jan
Balder, a bordo do BMW Alpina 2000 cc nº3 da escuderia Cebem.
Além de José Carlos Pace e Marivaldo Fernandes, a equipe
Jolly-Gancia contou com De Lamare em 1969. Correndo sempre com o Alfa Romeo
GTA, De Lamare e Mario Olivetti terminaram na segunda colocação nos 1000 Km de
Brasília. Já nos 1000 Km da Guanabara, De Lamare abandonou conduzindo o
AC-Volkswagen 1800 cc da equipe de Olavo Pires.
Com seu lado profissional em ascensão Pedro Victor De
Lamare percebeu a falta de apoio das montadoras em 1970. Daí conquistou
patrocinadores e criou uma equipe própria muito bem estruturada, a De Lamare
Competições.
Como empresário fundou a Escola de Competições Bardhal,
localizada em frente ao autódromo
de Interlagos. Sua esposa Gigi cuidava de toda parte administrativa e De Lamare atuava como instrutor. Foi um
sucesso total, pois, no primeiro ano, Pedro formou mais de quatrocentos pilotos
e em setembro, abriu outra em Porto Alegre. Pilotos de renome como José Renato
Catapani, Sérgio Mattos, Carlos Quartim Barbosa, Ricardo Di Loreto, os irmãos
Abílio e Alcides Diniz, José Pedro Chateaubriand e Arthur Bragantini
freqüentaram a escola Bardhal.
A oficina da escuderia De Lamare Competições ficava no
mesmo local da escola e juntamente com seu mecânico Manelão, De Lamare preparou
um Opala para correr na categoria Turismo. O seu motor 3900 cc foi preparado
por Caito Telles de Mattos, primo do Mário César de Camargo Filho, o Marinho.
O dia 08 de novembro de 1970 marcou a inauguração do
autódromo de Tarumã. Diante de um público de mais de 120.000 pessoas, Pedro
Victor De Lamare venceu de ponta-a-ponta a prova de Turismo na sua categoria,
depois de cravar a pole e melhor volta com seu lindo Opala nº84 azul. Ainda com
o Opala, na prova 2 Horas de Interlagos chegou em quarto lugar e quinto nos 500
Km de Interlagos.
Aproveitando a sua experiência na pilotagem de monopostos,
Pedro correu em Interlagos, na última etapa do Torneio Internacional BUA de
Fórmula Ford finalizando em 13ºlugar com um Hawke-DL2A.
Com um Ford Corcel 1500 finalizou as 24 Horas de
Interlagos em quinto lugar.
A RECOMPENSA: Pelo seu desempenho na categoria Turismo de 1970, Pedro Victor de
Lamare foi escolhido, por um júri de jornalistas especializados em
automobilismo, para receber o Prêmio Victor, que era uma premiação semelhante
ao Capacete de Ouro de hoje. O convidado especial Colin Chapman foi quem lhe
entregou o prêmio.
O SUCESSO: Em 1971, Pedro recebeu sua única ajuda da General Motors: um Opala cupê
duas portas e zero quilômetro. Com esse carro azul nº84 e motor 4100cc, Pedro
venceu as 12, as 4 Horas e os 500 Km de Tarumã e assim, conquistou facilmente o
primeiro Campeonato Brasileiro de Turismo - Divisão 3 (carros turismo de
fabricação nacional e modificados para corrida. A categoria era dividida em
três classes: Classe A: até 1600 cc; Classe B: de 1601 a 3000 cc e a Classe C
de 3001 a 6000 cc), classe C, adiante de Pedro Carneiro Pereira.
No Campeonato Brasileiro de F-Ford, Pedro pilotou um Bino
azul e nº84 ficando com o vice-campeonato, atrás do campeão Francisco Lameirão.
O Torneio SUDAM (provas disputadas entre brasileiros e
argentinos) foi em maio/julho de 1971. Lá estava Pedro Victor De Lamare
novamente com seu carro azul e, logicamente, nº84. Desta vez ele não era o
Opala, mas o protótipo Fúria-Chevrolet 2500 cc 4 cilindros, projeto do
brasileiro Toni Bianco.
O carro tinha um design agressivo e com ele, Pedro chegou
em terceiro lugar na prova de Tarumã e abandonou em Buenos Aires depois de
chegar em 10ªlugar na primeira bateria.
Visando participar novamente do SUDAM em 1972, Pedro
comprou, do projetista Horatio Steven, o protótipo argentino Tuero Sprint. O
carro foi preparado “meia-boca” porque Horatio estava em dificuldades
financeiras e queria receber o dinheiro logo. Em dezembro de 1971, Pedro
aproveitou o Torneio-Sul Americano em Interlagos para correr com ele. Acoplado
com o motor Chevrolet o Tuero era
inguiável, principalmente nas retas. Mesmo assim, Pedro conquistou um quinto e
um sétimo lugar.
Com imensa satisfação vendeu o Trueno e, em seu lugar
comprou o protótipo brasileiro Avallone, projeto do brasileiro Antônio Carlos
Avallone, baseado no Lola do campeonato CAN-AM.
Melhorando ainda mais seu Opala azul nº84 4100 cc, De
Lamare conquista o bicampeonato brasileiro de Turismo com vitórias em Tarumã e
Interlagos. Esse título foi mais difícil que o de 1971, pois Luiz Pereira Bueno
da escuderia Hollywood proporcionou brigas memoráveis com De Lamare.
No dia 18 de junho de 1972, De Lamare levou seu Avallone
nº84, ao 9ºlugar na primeira prova da SUDAM, em Buenos Aires. Participou com
esse carro na Divisão 4 (carros esporte com chassi e motor nacionais: Classe A
até 2000 cc e Classe B acima de 2000cc). Com esse carro, Pedro teve apoio do
engenheiro Joseph da GM argentina obtendo duas vitórias em quinze corridas até
o ano de 1973.
Graças ao organizador Antônio Carlos Scavonne, De Lamare
participou do Torneio de F2 no Brasil com um March 722-Ford, conseguindo um
oitavo lugar como melhor resultado.
O ano de 1973 foi o apogeu do profissionalismo de Pedro
Victor De Lamare. Ele conquistou o tricampeonato brasileiro de Turismo na
Divisão 3 contra Antônio Castro Prado e Júlio André Tedesco que teve seu Opala preparado na Argentina, assim como
Celso Antônio Frare e Afonso Iglesias.
Seu Opala continuou com o nº84 mas, passou a ser amarelo
devido ao novo patrocinador Eletroradiobraz que fundou o Eletroradiobraz Team.
Em agosto de 1973, Pedro contratou Ricardo Divila para
preparar seu Opala e Wilson Fittipaldi para elaborar seu plano de corridas.
Ricardo e Wilson estavam projetando o Copersucar F1 e De Lamare reformando sua
escola para abrigar o protótipo do F1.
A “mão” de Divila deixou o Opala 40 quilos mais leve, reforçou
o eixo traseiro para rodas de 13” de largura, colocou pneus slicks, adotou
freio a disco nas quatro rodas, mudou o câmbio para o ZF alemão de cinco
velocidades, colocou o radiador em posição inclinada criando nova saída de ar
do motor, acoplou um aerofólio traseiro semelhante ao BMW 3000 CSL e deixou o
dianteiro mais baixo tomando toda a largura do carro.
O motor foi recuado quase
20 cm, praticamente ficando entre eixos, e passou para 4300 cc, graças ao
engenheiro Roberto Beccardi da GM que engrossou o bloco de parede para receber
pistões maiores.
Todo esse
investimento financeiro e tecnológico tornou o Opala de De Lamare imbatível. Tanto é que ele baixou –e muito- o recorde
de Turismo em Interlagos de 3’20”2 para 315”5. Este é histórico e definitivo,
pois depois a pista foi modificada...
O carro chegou quase ao nível da perfeição, pois De Lamare
conseguia fazer a Curva 1 de Interlagos em 5ªmarca com o pé embaixo e aliviando
muitíssimo pouco.
De 1970 até 1973
o Opala nº84 venceu quinze provas e arrematou três títulos de Turismo na
Divisão 3.
A EUROPA: Tudo mudou em 1974 quando De Lamare desembarcou em Londres para
disputar o Campeonato Europeu de viaturas Esporte (Turismo) até 2 litros, vulgo
Grupo 5 GT e o Interserie.
Com patrocínio da SPI (Sociedade Paulista de Investimento)
por dois anos na Europa, Pedro Victor De Lamare abriu a sede da SPI Racing Team
em Mourne End, a sessenta quilômetros de Londres. O chefe de equipe era Antônio
de Souza e os mecânicos Luís Henrique de Almeida e Neal Croft da Surtees F2.
Pedro Victor De Lamare adquiriu um March 74 S e dois motores BMW de 280 HP com
assistência da March e um caminhão que era do piloto Graham Hill. No seu
primeiro treino, De Lamare teve a infelicidade de presenciar o acidente fatal
do piloto Phillip Landow que testava um March 73 da Fórmula Atlantic.
Pedro De Lamare assinou um contrato de três meses com a
Firestone que iria disponibilizar o engenheiro John Ward para auxiliar na
escolha dos tipos de pneus da SPI. O March (entregue com pneus Goodyear) teve
inúmeros problemas de adaptação aos pneus Firestone, mas mesmo assim De Lamare
conquistou dois quartos lugares, em Nogaro e em Magny Cours.
Outro problema foi
a caríssima manutenção dos motores BMW. Depois de seis corridas Pedro trocou
pelos motores Ford, mais baratos, com menor potência e preparados por Alan
Smith.
No total foram treze corridas com duas vitórias (Thurxton,
apesar de um defeito na fricção e Oulton Park sob chuva), um segundo, dois
quartos, um oitavo, um décimo, um décimo - primeiro e cinco abandonos, além de
uma pole e uma melhor volta, em Brands Hatch.
Assim, Pedro De Lamare terminou o ano como vice-campeão
do Grupo 5 GT.
A SPI diminuiu o press-release para o Brasil e o carro da
March não ficou pronto para 1975. Aí, pediu emprestado um Lola T-294 de Roger
Hire, para uma prova do Mundial de Marcas, em Mugello, fazendo dupla com o
saudoso Antônio Castro Prado e chefiado pelo ex-piloto Roger Hevens.
Abandonaram com quebra do motor e em Dijon eles correram com o Lola T-292 que
José Maria Juncadella correra em 1974. Foram desclassificados por serem empurrados
no grid. Depois disso, Pedro Victor De Lamare nunca mais correu...
POR TRÁS DAS PISTAS:
Ele foi morar no interior de São Paulo e trabalhar com
cavalos de raça. Mudou-se para o Rio Grande do Sul e em 1996 para o Uruguai
onde administrou uma estância para brasileiros. Em 2001 voltou para São Paulo e
hoje, os filhos Stella, Maria e Pedro já estão formados...
Depois de pilotar Renault, Interlagos, Simca Chambod, DKW,
Alfa Romeo, BMW; protótipos AC, Trueno Spirit, Fúria, Avallone; fórmulas Vê,
Ford, e 2, March, Lola e seus bonitos Opalas, Pedro Victor De Lamare foi
merecidamente homenageado em 2006, ao receber do presidente da CBA Paulo
Scaglione, o Prêmio Benemérito.
Nada mais justo para o homem que sempre teve uma visão de
futuro no automobilismo proporcionando à GM uma ampla abertura para que a Stock
Car fosse criada com seus Opalas nos primeiros anos dessa categoria, que hoje é
a maior do Brasil.
Seria muito
gratificante (para o Brasil e todos que pasmaram com as proezas daquele Opala
azul nº84), que os organizadores da Stock Car prestassem uma homenagem para o
Sr. Pedro Victor De Lamare.
Por que não? Vamos esperar...
Abraço,
terça-feira, 14 de julho de 2020
Mapa (volta-volta) F1_2020 Etapa 02 - GP Styria
Abaixo o mapa da corrida 02 de F1 (2020), disputada no circuito de Red Bull Ring, (Styria).
O pontilhado uniforme indica abandono e o disforme indica penalização na classificação final.
Houve 159 ultrapassagens nas 71 voltas disputadas.
O "cara" da corrida foi Sergio Pérez que efetuou 16 ultrapassagens, além de cravar a melhor volta da prova 4 vezes...
O pontilhado uniforme indica abandono e o disforme indica penalização na classificação final.
Houve 159 ultrapassagens nas 71 voltas disputadas.
O "cara" da corrida foi Sergio Pérez que efetuou 16 ultrapassagens, além de cravar a melhor volta da prova 4 vezes...
2020 F1_ Mapa (volta-a-volta) da Etapa 01_Áustria
O pontilhado uniforme indica abandono e o disforme indica penalização na classificação final.
Houve 121 ultrapassagens nas 71 voltas disputdas e o italiano Giovinazzi foi o piloto que efetuou mais ultrapassagens (15).
Acompanhe meu blog, para ver esses mapas da corrida, a cada etapa de F1 realizada.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
25: A Última Vitória de Pace
Em 2008, finalmente o Brasil parece revitalizado na F1: na França Felipe Massa venceu e passou a liderar o Mundial pela primeira vez.
Na Inglaterra, Rubens Barrichello foi fenomenal na chuva e alcançou um terceiro posto muito significativo.
Na Alemanha, tivemos o excelente segundo lugar do jovem Nelson Piquet seguido do “outro” brasileiro Felipe Massa, fato que totalizou vinte-e-dois pódios com duplas brasileiras na história da F1. Até então, a última presença de dois brasileiros nos degraus da “festa do champanhe” fora no longínquo ano de 1991, ocasião em que o saudoso Ayrton Senna venceu o GP da Bélgica com Nelson Piquet (pai) terminando na terceira posição.
Mas, você sabe onde, quando e qual dupla brasileira iniciou essa série de vinte-e-dois pódios?
Foi no GP Brasil de 1975 –Interlagos- na vitória do rapidíssimo José Carlos Pace –Moco- (Brabham) seguido do bicampeão mundial Emerson Fittipaldi (McLaren).
Pace chegou na F1 em 1972 e em 1973 ficou em 11ºlugar no campeonato, pilotando o fraco Surtees TS14A-Cosworth. Apesar disso, foi considerado o quarto melhor piloto daquela temporada, atrás somente de Stewart, Emerson e Peterson.
Sua vitória no GP Brasil, dois anos depois, encantou novamente os olhos do seu amigo Luiz Antonio Greco, chefe da equipe Mercantil-Finasa/Motorcraft, que o considerava o terceiro “extraterrestre” do mesmo nível dos outros dois: Juan Manuel Fangio e Jim Clark.
Nesse ano de 1975, a equipe Mercantil era a favorita para o Campeonato Brasileiro de Turismo Nacional – Divisão 1 (categoria de carros nacionais fabricados em série, dividida em três classes: A até 1600cc; B de 1601 até 3000cc e C de 3001 a 6000cc), com provas de longa duração.
Greco convidou Pace para participar desse campeonato na equipe. Ele não hesitou: além de correr o Mundial de F1 pela Brabham, iria participar no campeonato brasileiro (Classe C) –em dupla com Paulo Gomes- pilotando o Maverick V8 Quadrijet de 4.950 cc da escuderia de Luiz Antonio Greco.
A dupla Pace-Paulo Gomes era a principal atração da Classe C em confronto com outros Mavericks, Opalas, Dodges e, junto com os da Classe A liderados pelos Passats, Chevettes e Fuscas 1600 cc formavam em média, sessenta carros no grid por prova. O campeonato teve cinco etapas. Paulo Gomes e José Carlos Pace foram os campeões do ano, vencendo três delas (12 Horas de Goiânia, 500 Km de Brasília e 12 Horas de Tarumã), abandonando nos 1000 Km de Brasília (junto com o terceiro piloto Nilson Clemente) e não participando dos 500 Km de Interlagos onde os vice-campeões Aluísio Andrade/Ricardo Lenz da equipe Sonnervig-Vicsa ganharam a prova, também com Maverick.
No Mundial de F1 Pace ficou na sexta posição e como campeão brasileiro da Divisão 1, fez questão de participar das 25 Horas de Interlagos, prova idealizada pelo eclético Antonio Carlos Avallone em 1973 e que marcou, nos dias 13 e 14 de dezembro de 1975, o encerramento do calendário automobilístico no Brasil.
Três pilotos brasileiros que estavam na Europa, seguiram o exemplo Dias Ribeiro (vice-campeão inglês F3 e estreante na F2 européia) junto com Ingo Hoffmann (sexto colocado no campeonato inglês de F3 e boas colocações na F5000) compartilharam o Opala nº1 da Equipe Itacolomy e ainda Antonio Castro Prado (Mundial de Marcas, Turismo Europeu e F2 européia). O piloto Alfredo Guaraná Menezes (quarto no campeonato de Fórmula Super-Vê do Brasil) era o outro componente do trio Ingo/Alex/Guaraná enquanto Prado dividia o Opala nº11 com Ricardo Soares de Oliveira e Antonio Cláudio Tarlá.
Outras atrações eram Francisco Lameirão (campeão de Fórmula Super-Vê), Afonso Giaffone/o veteraníssimo “Totó” Porto pilotando o Opala nº15, Lian Duarte/Jan Balder/Edgar Mello Filho com o Opala nº14 da equipe CB e a equipe Bamerindus com dois Opalas: o nº5 pilotado pelo gaúcho Marco Tedesco/Celso Freire/Edson Graczyk e o nº6 de Antonio Carlos Avallone/Marinho Amaral/Carlos Eduardo Andrade.
Bob Sharp estava com Pace e Gomes, pilotando o Maverick nº22. As outras “feras” presentes eram o motociclista Valter “Tucano” Barchi (cravou a pole-position) com os veteranos Jaime Silva e Fernando “Toco” Martins a bordo do Maverick nº10 do Team Tenenge; o jovem Chico Serra, Arthur Bragantini, Atilla Sipos, Reynaldo Campello, Ney Faustini, Newton Pereira, Aloysio Andrade Filho, o campeão da Classe A Francisco Artigas, o seu parceiro Eduardo Dória e muitos outros pilotos perfazendo um total de 43 carros no grid. Alinharam dezoito da Classe A (sete Mavericks, 10 Opalas e um único Dodge Dart) e vinte-e-cinco da Classe C (quinze Passats, nove Chevettes e um Fusca).
A largada programada para as 21 horas do dia 13 só foi acionada depois das 23 horas, devido à chuva que caia. Paulo Gomes, o “Paulão”, esteve muito consistente ao já assumir a ponta no início do Retão. Mostrou todo seu talento sob chuva, abrindo quase 4” por volta para Arthur Bragantini, o 2ºcolocado, e com o agravante de seu limpador de pára-brisa do lado esquerdo ter quebrado a partir da 5ªvolta!
Na 20ªvolta ele parou no pit para abastecer e arrumar o limpador do pára-brisa. Bob Sharp assumiu o volante e teve uma boa briga na pista com o novo líder, o Opala nº5 pilotado por Edson Graczyck. Este foi reabastecer e como o Maverick de Sharp estava pesado, o leve (pouca gasolina) Opala de Edgar Mello Filho assumiu a ponta. Este logo também foi reabastecer e a partir da 34ªvolta, só foi alegria para Bob Sharp, que abriu três voltas de vantagem para o segundo colocado, o Opala nº1 de Alfredo Guaraná/Ingo/Alex.
Bob Sharp liderava sem forçar o equipamento enquanto que o jovem Ingo Hoffmann na direção do Opala nº1 diminuiu a diferença do líder para uma única volta! Alfredo Guaraná passou a pilotar o Opala e na metade da prova ainda vinha na 2ªposição. Pouco depois, ele acordou o público com uma forte capotada na Curva da Ferradura. Para felicidade da prova (e da escuderia Itacolomy) o acidentado Alfredo Guaraná voltou à corrida, mas com três voltas de atraso sobre os líderes Pace-Paulão-Sharp.
Faltando menos de três horas para o fim, o Maverick da escuderia Mercantil ainda mantinha a vantagem de três voltas para o avariado Opala da Itacolomy. De repente o Maverick líder, pilotado por Sharp, pára na Ferradura! Ficou ali quase uma volta inteira e com muita dificuldade chegou ao box, onde permaneceu mais duas voltas checando o defeito. Trocaram a bomba de gasolina (mais tarde descobriram que o problema era sujeira no tanque e não propriamente a bomba) e finalmente, após um total de vinte-e-cinco minutos parado, voltou à prova com José Carlos Pace na direção.
Nisso, “o alemão” Ingo Hoffmann passou à liderança sob chuva, com quase um minuto de vantagem para Pace.
Ingo foi para o pit reabastecer e a equipe Itacolomy ficou discutindo quem iria tocar o carro nessa que era a parte final da prova. Decidiram que seria o “baixinho-voador” Alex Dias Ribeiro que ao entrar no carro teve problemas para prender o cinto-de-segurança e com isso, os trinta segundos normais de parada transformaram-se em mais de um minuto perdido. Assim, Pace reassumiu a ponta com Alex, quase um minuto atrás, em 2ºlugar. Faltando cerca de quinze voltas para completar as tão esperadas 25 horas, Alex bate seu Opala na saída da Curva do Sargento! O líder Pace passa ali e relaxa, pois com a batida do seu mais próximo concorrente, imagina que nada mais lhe tirará a vitória. Nessa mesma volta, seu relaxamento vira tormento, porque o carro novamente começa a falhar. Com muita dificuldade ele chega ao Box e a equipe faz um excelente trabalho de limpeza no carburador enquanto o “indestrutível” Opala de Alex, milagrosamente, também entra no pit para ser desamassado e seguir corrida! Pace perde dez minutos parado e retorna uma volta na frente de Alex que perde quinze minutos na parada.
Essa diferença de uma volta permanece até a 25ªhora, quando Pace cruza a bandeirada na ponta seguido de Alex na 2ªposição, com muita comemoração da sua equipe Itacolomy, por ter finalizado somente atrás do vencedor com o carro naquele lastimável estado de conservação...
Foram quase 2.900 km em pouco menos de 360 voltas percorridas. Foi a última vitória na carreira de Moco.
Em 1976 seu Brabham-Alfa Romeo foi um carro problemático na F1 mas, em 1977 era um dos favoritos para abocanhar o título máximo da categoria. Infelizmente no dia 18 de março ele perdeu a vida num acidente de avião junto com o amigo Marivaldo Fernandes.
Foi isso aí...
Abraço,
Sergio Sultani
José Calos Pace: Uma Homenagem Anônima
Arrumando um velho armário de casa encontrei dentro de um anuário, em um pedaço de papel
manchado pelo tempo, o texto abaixo com dizeres escritos a mão: “PACE 18/03/77”.
Foi o dia da trágica morte de Pace (junto com o seu amigo Marivaldo Fernandes)...
Depois de lê-la disponibilizo essa crônica anônima aqui, para os internautas.
Não sei quem escreveu esta homenagem a ele, mas posso afirmar que quem o fez, sabia da grandiosidade de José Carlos Pace, “Moco”. Aí vai:
“Absurdo, irreal, sem sentido. É tudo o que se pode, pensar, ainda se refazendo do soco dado no queixo de todos nós pela realidade inaceitável. Mas, "the show must go on", dizem os ingleses.
A semana que vem tem Grande Prêmio: todo mundo vai comentar: os jornais darão cobertura; a TV vai transmitir. Tudo como antes. Quase tudo.
No grid de largada, não falta apenas mais um piloto com seu carro de corrida. Faltará alguém que nesse circo poderia estar no lugar do mágico. Um Volks-Porsche em Interlagos, dando banho nas Carreteiras (1966); um Gordini, furando a neblina durante os 1600 km de Interlagos (1965) ou um recorde em Nurburgring, toureando um Surtees (1973), só pode mesmo ser coisa de mágico. Falta alguém que nesse circo pisava, da primeira à última volta, com o mesmo braço dos velhos campeões. Falta alguém para reclamar do carro, da equipe, da imprensa, de Deus e de todo mundo. Como você costumava fazer, na ânsia de sempre baixar o tempo um pouco mais.
Mas, só agora, é que todos percebem que ali estava um campeão. E, como todo campeão, em qualquer setor de atividade, você também trazia o destino marcado. Talvez, isso aconteça para chamar a atenção e, desta forma, fazer com que todos aprendam as lições que os campeões têm para ensinar. Foi com você, embora faltando-nos o sorriso fácil e o jeito para ser gentil, comum nos grandes ídolos, que nós aprendemos a perseverar e a brigar contra o acaso, contra a falta de sorte ou seja lá o nome que isso tenha. Um azar em Piracicaba; outro em Brasília; outro na França... Sempre assim. A adversidade roubando os pontinhos que, no final, poderiam ser a confirmação oficial.
Mas, quem gosta e entende dessa doença ou mania chamada automobilismo, sabe que não é apenas na soma de pontos que se faz um campeão. É preciso mais. Muito mais. É preciso talento pra tocar, igualmente forte, um protótipo Bino; um Turismo envenenado ou uma Fórmula Instável. É preciso sensibilidade para sentir na pista as imperfeições de um novo projeto; aos poucos desenvolvê-lo e disparar na frente, como o monstro da Alfa. O coração tem que ser grande e forte para suportar o choro sentido na morte do amigo Cevert. E, mais do que tudo, é indispensável a ingenuidade de uma criança, que só quer o seu brinquedo, sendo capaz de brigar quando ele a desaponta.
Por tudo o que foi dito, a gente acaba acreditando que não foi tanto azar o título que não veio. Porém, mais que um prêmio, vale a eterna lembrança. E, essa todo mundo sabe, fica para sempre e vira lenda. E são poucos os que têm essa sorte. Sorte, não. Poucos são os que têm essa marca. Marca de campeão. Campeão de verdade.”
Autor: Desconhecido.
![]() |
| 1969 - Pace e Marivaldo, vencedores dos 1000 Km de Brasília. Juntos na Eternidade. |
Foi o dia da trágica morte de Pace (junto com o seu amigo Marivaldo Fernandes)...
Depois de lê-la disponibilizo essa crônica anônima aqui, para os internautas.
Não sei quem escreveu esta homenagem a ele, mas posso afirmar que quem o fez, sabia da grandiosidade de José Carlos Pace, “Moco”. Aí vai:
“Absurdo, irreal, sem sentido. É tudo o que se pode, pensar, ainda se refazendo do soco dado no queixo de todos nós pela realidade inaceitável. Mas, "the show must go on", dizem os ingleses.
A semana que vem tem Grande Prêmio: todo mundo vai comentar: os jornais darão cobertura; a TV vai transmitir. Tudo como antes. Quase tudo.
No grid de largada, não falta apenas mais um piloto com seu carro de corrida. Faltará alguém que nesse circo poderia estar no lugar do mágico. Um Volks-Porsche em Interlagos, dando banho nas Carreteiras (1966); um Gordini, furando a neblina durante os 1600 km de Interlagos (1965) ou um recorde em Nurburgring, toureando um Surtees (1973), só pode mesmo ser coisa de mágico. Falta alguém que nesse circo pisava, da primeira à última volta, com o mesmo braço dos velhos campeões. Falta alguém para reclamar do carro, da equipe, da imprensa, de Deus e de todo mundo. Como você costumava fazer, na ânsia de sempre baixar o tempo um pouco mais.
Mas, só agora, é que todos percebem que ali estava um campeão. E, como todo campeão, em qualquer setor de atividade, você também trazia o destino marcado. Talvez, isso aconteça para chamar a atenção e, desta forma, fazer com que todos aprendam as lições que os campeões têm para ensinar. Foi com você, embora faltando-nos o sorriso fácil e o jeito para ser gentil, comum nos grandes ídolos, que nós aprendemos a perseverar e a brigar contra o acaso, contra a falta de sorte ou seja lá o nome que isso tenha. Um azar em Piracicaba; outro em Brasília; outro na França... Sempre assim. A adversidade roubando os pontinhos que, no final, poderiam ser a confirmação oficial.
Mas, quem gosta e entende dessa doença ou mania chamada automobilismo, sabe que não é apenas na soma de pontos que se faz um campeão. É preciso mais. Muito mais. É preciso talento pra tocar, igualmente forte, um protótipo Bino; um Turismo envenenado ou uma Fórmula Instável. É preciso sensibilidade para sentir na pista as imperfeições de um novo projeto; aos poucos desenvolvê-lo e disparar na frente, como o monstro da Alfa. O coração tem que ser grande e forte para suportar o choro sentido na morte do amigo Cevert. E, mais do que tudo, é indispensável a ingenuidade de uma criança, que só quer o seu brinquedo, sendo capaz de brigar quando ele a desaponta.
Por tudo o que foi dito, a gente acaba acreditando que não foi tanto azar o título que não veio. Porém, mais que um prêmio, vale a eterna lembrança. E, essa todo mundo sabe, fica para sempre e vira lenda. E são poucos os que têm essa sorte. Sorte, não. Poucos são os que têm essa marca. Marca de campeão. Campeão de verdade.”
Autor: Desconhecido.
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